» Quid Sit
Onde uma pergunta é feita e obtém-se uma resposta [ou várias]; chaves, segredos e símbolos que não abrem o labirinto, apenas o cevam.
Dedicamos este espaço para expor os motivos que conduziram a engendrar este sítio.
Não é uma explicação.
Não é uma justificativa.
Seria algo como um mata-curiosidade, se pudesse ser definido, porque é irrelevante.
São só as razões do sítio.
Teleologia das Penas
Certo. Também é o terceiro texto. O primeiro deles era ruim demais: fruto das ânsias românticas do sangue adolescente. Mas indubitavelmente eu o apreciava: como não apreciar a inocência, ainda que com ares de corrupção?
Por este sítio conheci pessoas interessantes, outras, nem tanto.
Criei este site por uma necessidade: inicialmente de expressar uma sensação ainda sem contorno, por isso bruta, por isso tosca, depois, mais refinada, e, por último, este irônico mausoléu do ego [não porque ele morreu, mas porque ele parou e ficou].
Era um site para expor só meu material e algumas coisas de Byron e Álvares de Azevedo, e foi se definindo aos poucos, para se transformar em uma indefinição agradável. É o que eu acho, não obstante tenha saudade do tempo que se foi.
Chega de intróitos: de início, o que este sítio não é: não é um local de encontro de pessoas perdidas, não é uma ode ao que há de marginal em cada um, não é um pedido de socorro, não é um santuário gótico, não é uma biblioteca, nem pública nem particular, assim como não é uma cabine de dj de letras [o que significa que não tenho de ficar atendendo pedidos], não é isso e muito mais, contudo, vejo que já clareamos a sombra.
O que este site pode ser: algo devotado à poesia, sob diversas formas, na medida de seu espaço-tempo [espaço do sítio, tempo meu], e de sua adequação sob minha ótica; pode também ser um site com algo de pessoal, o que permitiria com certeza um domínio discricionário sobre todo seu conteúdo. São possibilidades.
De qualquer forma, palavras sobem, palavras descem, palavras nos fazem ficar irados, alegres, com sono, agitados, tristes, e todas aquelas outras coisinhas que desde as pedras até os deuses sentem.
Borges disse que escrever um poema é ensaiar uma magia menor. Então, eu digo, cada palavra é um pequeno gesto e uma pequena ferramenta em todo este ritual. Cada palavra é um símbolo capaz de despertar em pessoas diferentes emoções iguais, ou, em pessoas iguais, emoções diferentes.
Não basta ser mecânico, não basta a técnica. Como muitas são as tradições mágicas, muitas são as formas de se gerar um poema, ou uma poesia.
Particularmente neste pedaço de mundo não há vínculo com a forma, desde que ela exista, e que seja agradável: um binômio compatível essência-manifestação. A escrita tem poder, bem como o verbo. Cada obra é um golem e a própria força que anima este golem. Cada obra é o meio e o fim almejado.
Como a escolha é minha, a opinião dos leitores não vale um óbulo: eu os liberto para serem quem são aqui.
De forma contrária, o meu material que coloco aqui não teve uma seleção acurada, antes, foi pego de modo quase aleatório do manancial de coisas que escrevi. Não tenho pretensão de escritor: tenho necessidade de escrever. E inserir o material aqui é mais uma brincadeira do que qualquer outra coisa.
Há, além de obras minhas, obras de autores mais notórios, outros nem tanto, e obras de pessoas que me contataram ou que foram convidadas, antes ou depois de morrerem, a participarem daqui. A lista destas últimas tende a mudar de tempos em tempos.
Assim, este espaço está aberto a participações, e o fato de eu não colocar algo aqui não significa que é ruim: simplesmente não se encaixou em determinado momenhto.
Aliás... as figuras também criei. Foram a parte mais demorada. Para quem não sabe, também gosto de trabalhar com imagens.
O site foi criado por meu grande amigo Caio: assim, sugiro que não roubem nem texto, nem figuras, nem o site, nem idéias: solicite o uso, somos pessoas cordatas.
Quanto a neologismos, "neolatinismos" e outras coisas, peço para que, no mínimo, relevem, ou então divirtam-se e entrem no jogo do site. Liberem a imaginação. Tentem não se ofender, não se indignar, e outras coisas. Não fará nenhum bem.
A idéia do site é trabalhar com a palavra, moldando-a de acordo com a necessidade, e não trabalhar pela palavra, como os mecânicos ou os pedreiros da arte, que só sabem amontoar as pedras que já existem, conquanto criem belos e estéreis edifícios.
Por enquanto fico com o epíteto que forjei há coisa de 5 anos, já que é costume, ainda que me coce a vontade de mudar.
Boa estada.